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Lua de Cristal


O filme Lua de Cristal foi lançado em 1990, e encantou uma geração inteira com sua mistura de fantasia, romance e muita música. Inicialmente se chamaria Xuxa e a Turma Invencível. Daí a frase da música Lua de Cristal: Nós somos invencíveis, pode crer. Mas quando ela ouviu a música pronta, que foi composta por Michael Sullivan e Paulo Massadas, ficou tão encantada que pediu para mudar o nome do longa para o mesmo nome da trilha sonora.


Lua de Cristal é uma mistura de Cinderela e Branca de Neve. Xuxa interpreta a Gata Borralheira, Maria da Graça, uma jovem bonita e sonhadora que se muda para a cidade grande com a intenção de fazer aulas de canto. Ela fica hospedada na casa de sua tia Zuleika, vivida por Marilu Bueno, que faz o papel da madrasta má, mas que incorpora também a rainha de Branca de Neve, até lhe oferece uma maçã, e depois vê o rosto da sobrinha refletido no espelho quando pergunta se existe alguém mais bela do que ela.

Os primos de Maria da Graça, a Lidinha, personagem de Júlia Lemmertz, e Mauricinho, vivido por Avelar Love, são correspondentes as irmãs da Gata Borralheira que a atormentam e a exploram como uma escrava. Alias, Júnior Mauricinho não coloca Maria para fazer tarefas domésticas, ele tenta conquista-la, e a assedia constantemente.

Em meio a tantos problemas, Maria conhece a pequena Duda, personagem de Duda Little, sua vizinha. E o desajeitado Bob, vivido por Sérgio Mallandro, que é a materialização do príncipe dos seus sonhos. Ele encontra o sapato perdido da Cinderela, ou melhor, o tênis trocado de Maria. E também protagoniza o beijo que devolve a vida a moça, tal qual o príncipe que despertou Branca de Neve. É ele que a ajudará a conseguir emprego em uma lanchonete e a transformará na estrela de um show. 


Além desses personagens, tem também o Bartolomeu, personagem de Cláudio Mamberti, o dono da lanchonete Babalú, onde trabalham Bob e Maria. O professor Uirapuru, vivido por Rubens Correia, que interpreta o diretor da escola de música onde Maria se matricula, é ele o responsável por testar a voz da jovem e alocá-la em sua classe de canto.

Tem a Dona Rolinha, personagem de Thelma Reston, a principal secretária da escola de música. E a Dona Cotinha, vivida por Leina Krespi, a mãe de Maria, que só aparece no começo do filme.

Todas as Paquitas e Paquitos também participaram do filme. A Roberta Cipriani, Priscilla Couto, Tatiana Maranhão, Ana Paula Almeida, Letícia Spiller, Juliana Baroni, Cátia Paganote e Bianca Rinaldi. Marcelo Faustini, Robson Barros, Egon Júnior, Claudio Heinrich e Alexandre Canhonhi. E o cantor e produtor musical Michael Sullivan, que produziu a trilha sonora do filme, faz uma ponta como Super Saliva, sua cena se resume nele experimentando um sanduíche feito por Maria.

O filme é um musical, então, além do tema, Lua de Cristal, as outras músicas que servem de fundo para várias cenas são: Dança da Vida, com Michael Sullivan & Paulo Massadas. A Cidade, com Cláudio Negão. Verde que Te Quero Verde, com Xuxa. Contos de Fadas, com Xuxa. Dragão da Gang, com João Penca e Seus Miquinhos Amestrados. Mangas de Fora, com Paquitas. O Bob não é Bobo, com Sérgio Mallandro e Paquitas. Chá com Porradas, com Paquitos. Diga Alô, com Funk Brasil. Tema da Morte da Maria da Graça, instrumental, de Ary Spearling. E, Achados e Perdidos, de Silvinho, que não toca no filme, mas é considerada parte da trilha sonora oficial.


O lançamento de Lua de Cristal contou com uma mega-promoção. A pré-estreia ocorreu no dia 15 de junho de 1990, no Cine Marabá, em São Paulo, e reuniu 1.500 crianças da Febem, que desfrutaram de um breve show, lanches e a presença de Sérgio Mallandro, Paquitas e Paquitos, além de fotos autografadas. Em Maceió, no dia 18 de junho de 1990, uma nova pré-estreia contou com a presença da primeira-dama da época, Rosane Collor, acompanhada por 500 crianças da LBA.

Para a estreia oficial, realizada em 21 de junho de 1990, Xuxa, em parceria com a LBA, lançou a campanha Doa a quem dói, em todo o Brasil. Para tanto, o ingresso para ver o filme era um quilo de alimento, que a LBA se encarregaria de distribuir. Xuxa e Rosane Collor receberam o primeiro quilo de alimento da primeira sessão no cinema Art-Casashopping 2, no Rio de Janeiro, às 13h30.


Lua de Cristal entrou em circuito em 137 cinemas. Teve o maior público no primeiro fim de semana de estreia, com 920 mil espectadores e arrecadou 725 mil e 300 dólares, segundo o The Hollywood Reporter. O filme se destacou como a maior bilheteira da década de 1990 no Brasil, com cinco milhões e 100 mil espectadores. Esse recorde foi mantido por 16 anos, só foi superado em 2005 pelo filme Dois Filhos de Francisco.

Rogério Durst escreveu para o Jornal do Brasil que a diretora Tizuka Yamasaki trabalhou com roteiro e interpretações de idade mental inferiores a cinco anos, e chamou Xuxa de anoréxica. Décadas depois, Renato Cabral, em sua crítica para o Papo de Cinema, lembrou que as produções estreladas e produzidas por Xuxa caíram nas mãos de diretores e roteiristas ligados à televisão, resultando em produtos superficiais e pobres. Um dos raros momentos em que a rainha dos baixinhos conseguiu entregar à sua plateia algo mais bem elaborado foi em Lua de Cristal.


O filme foi lançado em VHS pela Globo Vídeo enquanto ainda estava em cartaz nos cinemas, em agosto de 1990. Em 1998, o jornal O Globo lançou a coleção O Globo no Cinema, e o VHS do filme foi reeditado e incluído na coleção. Em 2001, o filme foi lançado em DVD pela Som Livre. Para essa edição, foram gravadas entrevistas recentes com Xuxa e a equipe técnica que participou do filme, que foram incluídas como extras, já que não havia material de making of disponível da época.

Em 30 de novembro de 2017, a Bretz Filmes relançou o filme em um box de DVD junto com Super Xuxa contra Baixo Astral. O box contém dois DVDs, um para cada filme, mas, ao contrário do lançamento da Som Livre, não inclui extras ou making of.

Curiosidades

Havia planos para o lançamento da trilha sonora de Lua de Cristal, mas o álbum foi engavetado para não prejudicar as vendas do álbum Xuxa 5. Lembra que eu disse que o país passava por uma grave crise? Pois, o Xuxa 5 teve uma queda gigantesca de vendas, comparado com os álbuns anteriores, e a trilha sonora do filme nunca aconteceu.


O governo do Fernando Collor confiscou parte dos recursos do filme, então, a diretora Tizuka Yamasaki abriu mão de seu salário para concluir o projeto.

Andréia Sorvetão foi dispensada do grupo da Paquitas antes que começassem as gravações, e a sua substituta, Bianca Rinaldi, só se juntou ao grupo a tempo de gravar a última cena ao lado das meninas que já tinham feito a foto de divulgação, por isso, ela aparece sozinha na capa do DVD.


Xuxa planeja uma sequência para o filme, Lua de Cristal 2.  O projeto já foi elaborado em 2016, quando ela tinha contrato com a Record, mas como várias sinopses foram reprovadas, a ideia nunca saiu do papel. Com a sua volta à Globo, a expectativa era que o longa se concretizasse em 2025.
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Roque Santeiro e Miss Brasil 85 - 40 anos


Famosos que passarm susto em avião

No dia 29 de maio, Lívia Andrade viveu momentos de tensão a bordo de um avião de pequeno porte que precisou fazer um pouso de emergência. A aeronave pertence ao namorado da apresentadora, o empresário Marcos Araújo, após problemas no sensor do trem de pouso a comandante sobrevoou São Paulo e Atibaia para queimar combustível e fazer um pouso seguro em Jundiaí. Apesar do susto, todos os ocupantes passam bem.


Em 2015, um avião de pequeno porte com Luciano Huck e Angélica fez um pouso forçado em Mato Grosso do Sul. O casal estava acompanhado dos três filhos e de duas babás, a Marcileia Eunice Garcia e a Francisca Clarice Canelo Mesquita. E não deu nem tempo de voltar, ou seguir, até um aeroporto, o pouso aconteceu em uma áera aberta de uma propriedade privada. Todos ficaram bem, mas Angélica disse que pensou que todos iam morrer.

Em 2016, quando Xuxa e Juno, voavam ao Piauí, o avião foi atingido por um raio e sofreu uma pane elétrica, obrigando o comandante a fazer um pouso de emergência em Brasília. Ela fez um estórie avisando que não chegaria ao compromisso e pediu desculpas.

Esses todos, apesar do susto, sobreviveram. O candidato a presidente Eduardo Campos, a cantora Marilia Mendonça, e o cantor Gabriel Diniz não tiveram a mesma sorte.

Cantores em novelas

O cantor Belo foi confirmado para a próxima novela das 21h da TV Globo, Belo, o Feio. Mentira. Três Graças, escrita por Aguinaldo Silva. A ideia é usar a imagem do cantor para chamar a atenção do público e atrair patrocinadores, mas a própria Globo acabou noticiando uma denúncia que pode prejudicar a novela caso ele realmente participe.


O Telejornal RJ2 exibiu uma matéria sobre a prefeitura de Itaboraí, no Rio de Janeiro, que tem gastado muito com shows na cidade, o total de gastos previstos para 2025 chega a 28 milhões de reais, isso é mais do que o orçamento destinado a transporte e saúde, por exemplo, no município que tem 240 mil habitantes. Só no evento de comemoração dos 192 anos da cidade, o prefeito liberou 2 milhões e meio e dentre os artistas contratatados estava o Belo.

Alguns patrocinadores já demonstraram insatisfação por ver o nome do pagodeiro vinculado a uma denúncia de mal uso do dinheiro público. E gente, é aquela máxima lá do Império Romano que ainda funciona, a gestão do pão e circo. Entretenimento é bom? Sim. A gente merece? Claro. Mas mais importante são os serviços básicos que precisam funcionar bem.


Agora, em relação a um cantor em uma telenovela, essa não é a primeira vez. Aliás, têm vários cantores que já fizeram até mais de uma novela, mas aqueles que se aventuraram, por assim dizer, porque foi só uma vez, alguns duas, foram esses: Lucas Lucco interpretou o personagem Uodson na temporada Seu Lugar No Mundo, de Malhação, em 2015. Ivete Sangalo interpretou a Maria Machadão na novela Gabriela, em 2012. Daniel interpretou o peão Zé Camilo na novela Paraíso, em 2009.


Paulo Ricardo interpretou o personagem Samuel na novela Esperança, em 2002. Almir Sater foi o protagonista da novela A História de Ana Raio e Zé Trovão, na Rede Manchete, em 1991. Ele já tinha atuado em Pantanal, em 1990, junto com Sergio Reis, e teve seu desfecho adiantado a fim de se preparar para as gravações da outra novela.

Autores recontratados

O autor Tiago Santiago que escreveu alguns dos maiores clássicos da teledramaturgia da Record, a trilogia dos Mutantes, tem sinopse em análise pela Globo. Ele começou na Globo como colaborador e poderia ter continuado, mas preferiu abraçar o papel de autor principal na Record e depois migrou para o SBT. No entanto, desde 2011, não tem nada de novo, a sua última novela foi Amor e Revolução no SBT.


A Globo tem recontratado autores que haviam sido dispensados, e alguns já fazia um bom tempo que estavam fora. A Lícia Manzo, autora de Três Irmãs, A Vida da Gente, Sete Vidas e Um Lugar Ao Sol, está de volta. A Cristianne Fridman também, e ela ficou por anos na Record são de sua autoria as novelas Bicho do Mato, Chamas Da Vida, Vidas Em Jogo, Topíssima, e mais algumas outras.

E Ana Maria Moretzohn será a supervisora de texto das novelas e séries. É muito curioso que a Globo, passando por uma fase em que muitos críticos dizem que é de crise, resolve investir em um produto caro. Lá em 2002, quando a emissora passou, talvez pela sua pior crise, alguns analistas aconselharam a direção a cancelar as novelas porque as produções exigiam muito investimento, e eles disseram que não, as novelas são os principais produtos da empresa.

E agora outra vez, mesmo com a audiência em declínio, eis que surge um novo canal de novelas, a Globoplay Novelas. É bom para a classe artística, né? Suponho. Porque com tantas novelas em produção, eles têm mais oportunidades de trabalho.

Fim do Viva e do +Saudades

O SBT encerrou o canal +Saudades e o canal +Pop, na plataforma de streaming +SBT. Atualmente o canal estava transmitindo o programa da Mariane, inclusive os episódios inéditos, pois quando a apresentadora foi dispensada da emissora, em setembro de 1991, ainda tinham programas gravados que não tinham sido exibidos até então.


Coincidentemente, o canal +Saudades, do streaming do SBT, chegou ao fim junto com a descontinuação do canal Viva, do streaming da Globo, ambos de nostalgia.

A decisão faz parte de uma nova reestruturação da plataforma, que também resultou na mudança de nome do canal +TVZYN para +Kids, focando mais no público infantil. O +SBT agora conta com apenas três canais temáticos: +Kids, +Novelas e +Silvio Santos, além da transmissão ao vivo do SBT. A decisão de encerrar os canais foi tomada devido à perda de patrocinadores

LOTV News

J.K. Rowling utiliza rendas da série Harry Potter, dos livros e filmes, para restringir os direitos de pessoas trans. Por meio de uma publicação na rede X, ela anunciou o nascimento do J.K. Rowling Women’s Fund, uma organização que se descreve como defensora dos direitos baseados no sexo das mulheres, expressão comumente usada por grupos antitrans para excluir pessoas trans do espaço público e legal.


O site oferecerá apoio financeiro a indivíduos e organizações que lutam para manter os direitos sexuais baseados no sexo no ambiente de trabalho, na vida pública e em espaços femininos protegidos. Em outras palavras, o fundo foi criado para apoiar processos judiciais que buscam impedir que mulheres trans sejam reconhecidas como tais em contextos legais e sociais.

O ator Pedro Pascal se manifestou em defesa de sua irmã trans, a Lux Pascal, dizendo que as ações de Rowling são maldades digna de Voldemort, e conclamou seus seguidores a boicotarem toda a franquia de Harry Potter, incluindo os parques temáticos e a nova série da HBO.

Você Não Pode Ficar Sem Saber

Viih Tube leva mais de 10 malas em viagem, e Eliezer reclama.


Sandra Annenberg vai com o marido, Ernesto Paglia, a show de Roberto Carlos.


Xamã e Sophie Charlotte aparecem juntos novamente na praia.


Passou Nesse Mês

No dia 8 junho de 1985, o SBT exibiu a 32ª edição do Miss Brasil, o tradicional concurso de beleza feminino válido para o concurso internacional de Miss Universo. A competição foi apresentada por Silvio Santos e contou com atrações musicais de Alcione, do cantor espanhol Manolo Otero, da banda Metrô e do grupo Dominó.


O juri foi composto por 12 artistas e empresários: Augusto Liberato, Ieda Maria Vargas, Jassa, Luciano Calegari, Joyce Kerman, Pelé, Murilo Sarney, José Tavares de Miranda, Pedrinho Aguinaga, João Dória Junior, Pepita Rodrigues e Rey Reyes. Vinte e cinco Estados, o Distrito Federal e o arquipélago de Fernando de Noronha disputaram o título. Márcia Gabrielle, representante do Mato Grosso, foi a campeã.

Roque Santeiro

No dia 24, estreou a novela Roque Santeiro, na TV Globo. A trama foi assinada por Dias Gomes e Aguinaldo Silva, foi ao ar no horário das 20h na TV Globo, sob direção direção geral de Paulo Ubiratan. Contou com a atuação de José Wilker, Regina Duarte, Lima Duarte, Yoná Magalhães, Fábio Jr, Lídia Brondi, Lucinha Lins, Ary Fontoura, Eloísa Mafalda, Ilva Niño, Armando Bógus, Cássia Kis, Rui Rezende, Paulo Gracindo e Cláudio Cavalcanti nos papéis principais.


Roque Santeiro foi baseada na peça teatral O Berço do Herói, escrita em 1965 por Dias Gomes, ele desenvolveu a novela junto com Aguinaldo Silva e escreveu até ao capítulo 51. A peça tinha sido censurada pela ditadura militar e ele fez pequenas adaptações para a TV, usando outro nome, para enganar os militares, que descobriraram através de uma escuta telefônica e proibiram a novela.


A Globo já tinha gravado trinta capítulos e tinha produzido chamadas para a estreia, mas foi notificada da proibição de sua exibição pouco antes de levar a novela ao ar. Ivani Ribeiro foi chamada para desenvolver outra trama, as pressas, para substituir o folhetim proibido, aproveitando o mesmo elenco. Ela escreveu Pecado Capital.

No governo de José Sarney, a telenovela foi liberada, mas esteve condicionada a varias restrições, como por exemplo, o corte de insinuações de homossexualidade, cenas de adultério e até mesmo algumas palavras consideradas de baixo calão. Em outubro de 1985, após uma crítica do autor Dias Gomes sobre a nova censura, o Ministro da Justiça Fernando Lyra, proibiu quaisquer cortes na trama e afirmou que o órgão deveria funcionar como caráter classificatório, devendo tramas problemáticas ser trocadas de horário e não censuradas.

Roque Santeiro se desenrola na fictícia cidade de Asa Branca e conta a história do coroinha Luís Roque Duarte, vivido por José Wilker, conhecido como Roque Santeiro, por esculpir imagens sacras. Ele teria morrido ao defender a população dos capangas do perigoso Navalhada, personagem de Oswaldo Loureiro, que havia invadido a localidade. O jovem foi santificado, promoveu milagres, e poderia ser canonizado, ou seja, virar santo.

Mas, ele volta, vivíssimo. Então, alguns dos que sabem defendem que a verdade deve ser revelada, enquanto outros querem manter a farsa porque a lucram com ela.


A novela ganhou dois álbuns da trilha sonora, ambos somente com canções brasileiras. O primeiro disco tem Regina Duarte na Capa. O segundo tem Regina Duarte, Lima Duarte e José Wilker na capa. Em 1991, a novela foi reprisada no horário da Sessão Aventura, às 17h, a partir do mês de junho. Na ocasião o primeiro álbum foi relançado com duas faixas do segundo álbum.

Sua média geral de audiência é de 74 pontos, é a telenovela de maior audiência da televisão brasileira, empatando o posto com Tieta. Em seu primeiro capítulo marcou 68 pontos.
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O Mistério De Robin Hood


Em 1990, a trupe Os Trapalhões estiveram no cinema em duas ocasiões, em seu filme oficial, parodiaram um famoso herói justiceiro, o Robin Hood, com participação da rainha dos baixinhos, que também teve dupla jornada nos cinemas daquele ano, e com papel dobrado no filme dos colegas atrapalhados.


O Mistério de Robin Hood estreou em 14 de dezembro de 1990. Nesse ano nós tivemos várias produções nacionais, no entanto, as que mais fizeram sucesso foram, para variar, Xuxa e Os Trapalhões. Teve Uma Escola Atrapalhada com Angélica e Polegar, mas que era também dos Trapalhões, e Sonho de Verão de toda a turma da Xuxa.

O Mistério de Robin Hood foi o primeiro filme dos Trapalhões sem o Zacarias que faleceu em março daquele ano. Foi o segundo filme da Xuxa no mesmo ano e poderia ter se poupado porque o anterior tinha sido o Lua de Cristal, um grande fenômeno, e esse com os Trapalhões não foi o melhor filme deles. Aliás, as críticas não foram nada boas.

Os críticos adoravam falar mal dos filmes dos Trapalhões e da Xuxa, não sem razão, mas um dos comentários dizia que o filme demonstrava o cansaço do grupo e a dificuldade em permanecer relevantes, disseram que o longa era basicamente um episódio prolongado do programa da TV.

O filme realmente não tem consistência, como nenhum filme dos Trapalhões ou da Xuxa. Eles sempre pecaram no mesmo detalhe, a pressa. Aí sempre ficava parecendo um especial de TV. Em O Mistério de Robin Hood, a temática de circo facilitou para inserir apresentações que preenchem o tempo, mas o tema principal mesmo não tem profundidade.

A bilheteria alcançou quase um milhão e setecentos mil pagantes, pouco abaixo de Sonho de Verão e oitocentos mil a menos de Uma Escola Atrapalhada.


O filme começa com dois grupos de pessoas, claramente de reputação duvidosa, e cheios de dinheiro a julgar pelos carros que usam, para uma negociação, nitidamente ilegal dada as condições do encontro, em um lugar sem movimento, com homens mascarados e armados. É quando o Robin Hood entra em ação pela primeira vez.

O pseudo-herói deixa o local em um carro tão caro quanto o dos negociadores e entrega parte do dinheiro do roubo a uma família em que as crianças reclamavam de comer pão com sardinha e a mulher chorava na mesa pela miséria em que estavam passando.

A cena seguinte é um esquete de trapalhada em um circo entre Dedé e Mussum que são trabalhadores do local. Em seguida, Xuxa entra em ação, ela interpreta a Tatiana, filha do mágico do circo, papel que deveria ser distinto do que ela era na TV, na vida real, mas ficou muito parecida, infantilizada.

Didi encontra uma criança em uma lata de lixo, que passa a viver com ele escondida no circo também. Na verdade, ele não se esconde no circo, foi o circo que foi montado em cima de seu esconderijo. Ele obriga a criança a tomar banho e ao vê-la nua descobre que é uma menina, a Duda Litle, a quem dá o nome de Rosa. Ela não fala e nem lembra quem é exatamente.

Dedé serra o Mussum ao meio e cola as parte ao contrário.

Tatiana se disfarça de menino para vender chocolate aos frequentadores do circo, mas parece que não tem permissão para fazer isso porque o segurança do local a coloca para fora.

Didi vê TV com a garota que adotou, mas sai antes de aparecer na tela o pai de uma criança desaparecida.

Os capangas do vilão Gavião invadem o circo para deixar um recado para o Robin Hood.

Ele tem uma espécie de Bat-Caverna, com passagem secreta e conexão via rádio com o esconderijo dos bandidos, é como ele descobre onde serão feitas as negociações ilegais para roubar o dinheiro.

Gavião descobre que Robin Hood escuta as conversas do seu esconderijo e arma uma cilada para ele, mas graças aos outros dois trapalhões, o plano não dá certo. Eles não tinham se dado conta que Rosa estava escondida no carro e por alguma razão, não clara, ela passou mal e precisou ser levada ao hospital. A situação serviu para gerar uma cena emotiva que, por sorte, foi curta.

Rosa foi sequestrada do hospital e recupera a memória. Ela reconhece o vilão, que é o mesmo inspetor do circo. E é usada para capturar Robin Hood.

Gavião utiliza Tatiana para chamar a atenção de Robin Hood e finalmente acontece o embate entre os dois. Ele é salvo peña moça disfarçada de menino. Rosa entra em cena com dificuldades de falar, mas no mesmo instante recupera toda a sua capacidade de dicção e oratória.

Ao retirarem o vilão do circo, Tiao Macalé aparece em uma cena sem nexo nenhum, por alguns segundos.

Didi devolve Rosa a sua família e quando volta ao circo é preso por ter sua identidade revelada pelo seu inimigo, mas é liberado pela polícia diante da pressão dos trabalhadores do local com a condição de ter que ir embora. Parece que pelo menos o vilão não revelou seu esconderijo, ou saberiam que ele estava lá antes deles chegarem.

Ao embarcar em seu carro, encontra o menino vendedor, que revela sua identidade. Ambos se beijam e são enviados, pelo pai da moça, para o sonho de Didi.

No final do filme aparecem os erros de gravação e a última cena é de Xuxa vestida de menino com a camiseta do Botafogo fazendo campanha rumo ato tri-campeonato do clube.

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O Fim Do Mundo


A novela O Fim do Mundo estreou no dia seis de maio de 1996, na TV Globo. Foi escrita por Dias Gomes, com colaboração de Ferreira Gullar, e teve direção de Gonzaga Blota e Paulo Ubiratan. Contou com as atuações de Paulo Betti, José Wilker, Bruna Lombardi, Lima Duarte Vera Holtz, Maurício Mattar, Paloma Duarte e Guilherme Fontes nos papeis principais.


A história se passa na cidadezinha de Tabacópolis, onde o vidente Joãozinho de Dagmar previu o fim do mundo para uma data próxima e a cidade virou de pernas para o ar. Vários acontecimentos inexplicáveis aconteceram, fortalecendo a profecia, causando pânico nos moradores que entraram em desespero.

Como a previsão era que restava pouco tempo de vida na Terra, as pessoas começaram a cometer atos que em outras circunstâncias pensariam dua vezes. O empresário Tião Socó, vivido por José Wilker, era dono de uma fazenda de tabaco e tinha uma marca de cigarros, e era impotente. Então, resolveu investir na bela cunhada, a Gardênia, vivida por Bruna Lombadi, que foi a solução do seu probleminha.


Josias, vivido por Guilherme Fontes, era filho de outro poderoso Coronel, o Hildázio Junqueira, vivido por Lima Duarte. Ele, Josias, não aguentava a resistência da noiva Letícia, personagem de Paloma Duarte, filha de Tião Socó, em manter-se virgem até o casamento, e para piorar a situação para ele, se apaixonou pelo peão Rosalvo, vivido por Mauricio Mattar, para quem acabou se entregando. Ruim para o noivo, pior para o peão que acabou castrado.

Tinha também o caso de Lucilene, vivida por Patricia França, que lutava para ser uma cantora bem sucedida, mas o namorado acabava atrapalhando com seu envolvimento com a polícia. Ele, o Nado, personagem de Marcos Winter, era filho da prefeita Florisbela, vivida por Vera Holtz, muito problemático e perseguido por ser acusado de ter matado Maninho, personagem de Marcelo Faria, que era filho do Coronel Hildázio também.


Entre os vários figurões do elenco, vale destacar a participação do promoter David Brasil que interpretou a personagem Gisele. Ele fez o papel de um promoter homossexual de um prostíbulo chamado a Casa da Maria Chupeta. Uma pena que a sua participação durou apenas dois capítulos. Outra participação que merece ser lembrada é do ator Claudio Tovar, que apresentava o infantil Lupu Limpin Claplá Topo na Rede Manchete.

A vinheta de abertura mostrava a Terra sendo bombardeada por meteoros, enquanto uma multidão tentava fugir desesperada do cataclisma, sob a canção O Último Dia de Paulinho Moska. Hoje, é possível ver claramente as imperfeições na montagem de sobreposição de imagens. Detalhes que eram ignorados na época.

A novela tem 35 capítulos, e não seria uma novela, foi concebida para ser uma minissérie, Dias Gomes começou a escrever os capítulos em outubro de 1995, e o plano original era que fosse até mais longa do que foi, teria cinco capítulos a mais, ou seja 40.

No entanto, a novela O Rei Do Gado, que iria substituir Explode Coração, estava com a produção atrasada e  Glória Perez, autora Explode Coração, precisava ser liberada pela Globo no início de maio, para o julgamento do assassinato de sua filha, Daniella Perez, não tinha a menor possibilidade dela esticar a novela. Então, para a produção de O Rei Do Gado ganhar tempo, colocaram O Fim Do Mundo no horário da novela das oito, que começava às oito e meia.

E também, a novela já serviu como teste, porque além de ser mais curta, pela primeira vez numa novela, criaram objetos e animais virtuais em três plataformas de computadores. E uma coisa que encanta qualquer amante de bastidores, é que na época usava-se muitos recursos físicos, então, para os efeitos do cataclismo fizeram uma maquete da cidade.

Uma senhora maquete, porque era dez menor do que a cidade que tinha tinha 35 mil metros quadrados. Algumas cenas externas foram gravadas na cidade de Vassouras, no Rio de Janeiro e nas cidades de Carrancas e Cordisburgo, em Minas Gerais.


O Fim do Mundo teve um álbum da trilha Sonora, com o ator José Wilker na capa. Todas as faixas são de canções brasileiras, e duas faixas são de dois atores da trama: Teu Cafuné de Mauricio Mattar e o potporri Só Louco / Não Tem Solução / Nem Eu na voz de Patrícia França.

Outras faixas fizeram bastante sucesso, como Solidão de Alceu Valença, Belíssima de Vanessa Barum, E O Mundo Não Se Acabou de Adriana Calcanhoto, Balada Do Louco de Arnaldo Baptista, e, Profetas de Zé Ramalho.

O Fim do Mundo foi a última novela dirigida pelo diretor Gonzaga Blota, que se afastou da televisão e faleceu em 2017. Foi reprisada entre 15 de agosto a 29 de setembro de 2000, durante o horário político das eleições municipais, logo após o Jornal Nacional, para o Distrito Federal e Fernando de Noronha, e para aqueles que sintonizavam a TV através das antenas parabólicas.

Foi reprisada na íntegra pelo Viva entre 18 de dezembro de 2017 a 26 de janeiro de 2018, e entrou no acervo da Globoplay no dia 13 de março de 2023, como parte do Projeto Resgate.
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Anos 90


No comecinho da década de 1990, nós vimos a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Tratava-se de um Estado socialista formado em 1922, governado pelo Partido Comunista, composto por diversas repúblicas com a Rússia como seu maior e mais influente membro. Era uma das duas superpotências mundiais durante a Guerra Fria, a outra já era os Estados Unidos.


Em 1991, diversas repúblicas da União Soviética declararam independência. No dia 25 de dezembro, Mikhail Gorbachev renunciou à presidência e no dia seguinte esse grande Estado foi oficialmente dissolvido, dando lugar a novos Estados independentes, incluindo a Rússia, a Ucrânia e outros países que formavam a federação.

Já no Brasil, aconteceu o primeiro impeachment de um presidente eleito democraticamente. Em meio a um escândalo de corrupção, que diga-se de passagem não foi tão grave quanto a vários outros que vieram depois em outros governos, Fernando Collor de Mello renunciou ao cargo no dia 29 de dezembro de 1992, no entanto, a Câmara dos Deputados votaram assim mesmo pelo seu impeachment para que ele perdesse seus direitos políticos e ficasse inelegível por oito anos.


Em 1993, aconteceu um plebiscito para definir a forma e o sistema de governo do país. A votação tinha sido prevista pela Constituição promulgada em 1988 e pedia que os cidadãos escolhessem entre monarquia ou república como forma de governo e entre parlamentarismo ou presidencialismo como sistema de governo. É confuso? É! Porque caso ganhasse a monarquia, não existe monarquia presidencialista.

Foi feito assim para beneficiar o presidencialismo, já que tal forma de governo estava sendo reimplantada no país e contava com o primeiro presidente eleito pela nova Constituição e a monarquia tinha sido abolida há mais de um século, em 1889, quando o Marechal Deodoro da Fonseca liderou o golpe que tomou o governo do país das mãos da família real, mas essa parte da história sempre foi romantizada, então com 66,23% dos votos, a República ganhou, e com 55,4% o Presidencialismo continuou vigente.


No dia primeiro de julho de 1994 foi implementada nova moeda do Brasil, o Real, fruto de um plano econômico para derrubar a inflação que vinha sendo trabalhado por Fernando Henrique Cardoso desde maio de 1993, quando foi nomeado Ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, o vice de Fernando Collor que assumiu a presidência do país com o seu impeachment. Desde 27 de fevereiro de 1994, a moeda já vinha sendo preparada para tomar o lugar do Cruzeiro Real, sendo corrigida diariamente pela URV, Unidade Real de Valor, que equipava o valor do nosso dinheiro com o dólar.

Ou seja, o real nasceu valendo a mesma coisa que o dólar. Pipocou pelas cidades as lojas de 1,99, mas nós não tinhamos um real valor do dinheiro porque o salário mínimo era de apenas R$64,79, e fechou o ano em R$70,00.

Foi uma década de muitas privatizações, sobretudo a segunda metade quando Fernando Henrique foi eleito presidente. Há, e ele conseguiu aprovar uma emenda constitucional para reduzir o tempo de mandato do presidente de cinco anos para quatro, com opção de reeleição. E como ele conseguiu isso? Pagando os deputados, com dinheirinho vivo, para que votassem a favor da emenda. Várias empresas estatais de setores estratégicos, como telecomunicações, siderurgia e energia, foram vendidas ao setor privado com o objetivo de modernizar a infraestrutura e reduzir o déficit público, o que gerou muitas polêmicas e debates sobre os impactos na soberania nacional e na qualidade dos serviços prestados à população. 


A resposta mais rápida, pelo menos a que deu para sentir o impacto, foi na telecomunicação. As linhas telefônicas que antes eram investimentos passaram a ficar baratas e accessíveis, e a telefonía móvel também começou a se desenvolver e ficar mais acessível, e aí surgiram um monte de empresas de tele-mensagens, aquelas que a gente enviava para quem estava fazendo aniversário. Tinha para outras ocasiões também, e a pessoa que recebia se emocionava sempre ao ouvir uma gravação com uma música de fundo.


Em relação ao celular, a primeira chamada que oficializou a chegada no Brasil aconteceu em 30 de dezembro de 1990. A partir de então só quem precisava muito de um aparelho estava disposto a pagar a fortuna que custuva uma linha e o modelo disponível era chamado de tijolar, devido o tamanho e peso que tinha. A popularização do celular começou a partir de 1996, quando os preços baixaram e surgiram outros modelos mais leves e bonitos.


A internet estava no Brasil desde 1988, mas foi a partir de 1996 também que começou a se popularizar, foi quando surgiu os dois primeiros portais de internet privados do Brasil, o Zaz e o UOL. Mas até essa tecnologia chegar em nossas mãos tivemos que esperar a entrada do novo milênio, pois na década de 1990 o acesso a internet ainda era muito restrito.


Sem celular e sem internet o que nos restava era a televisão, e exatamente em 1990 surgiu a primeira por assinatura. Foi o Canal+ instalado por uma empresa francesa, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, usando o sistema MMDS, ou seja, transmissão aérea através de micro-ondas, e tinha cinco canais. Era um de notícias, a CNN em inglês. Um de esporte, a ESPN em inglês. Um de atualidades, a SUPERSTATION em inglês. Um canal de filmes com legendas, e um canal musical, a TVM.

Mas não agradou muito e no final do ano o Grupo Abril comprou o Canal+ e tentou colocar a MTV no lugar, só que a MTV estados-unidenses exigia que a emissora fosse instalada com sinal aberto, então, a Abril criou a TVA no mesmo sistema de transmissão do Canal+ mantendo os cinco canais e só fazendo algumas alterações. O canal de filmes passou a chamar-se TVA Filmes e TVM foi substituida pela MTV Brasil, que também tinha a transmissão em canal aberto e foi a primeira emissora a transmitir durante 24 horas no Brasil, porque, até então, todas as emissoras encerravam sua programação e ficavam fora do ar durante a madrugada.

E foi em 1991 também que surgiu a Globosat, com quatro canais exclusivos, o Multi Show, o Top Sport, o GNT e o Tele Cine, para fazer concorrência com a TVA. Em outras palavras, para ferrar com o Grupo Abril porque o Roberto Marinho não aceitava ficar para trás de nada e de ninguém.


Além da MTV, a nova emissora no canal aberto, a Record, que tinha sido vendida de Silvio Santos para o Edir Macedo, começou a crescer e fazer concorrência com as outras emissoras. Dois nomes se tornaram as grandes estrelas da Record, a Ana Maria Braga e o Ratinho, ela ocupava boa parte da programação com o seu programa Note e Anote, e ele deitou e rolou na faixa noturna, ficando muitas vezes em primeiro lugar na audiência devido as bizarrices que apresentava em seu programa até mudar para o SBT, em 1998, prometendo fazer coisas ainda piores.

A Ana Maria Braga saiu da Record em 1999 e assinou com a Globo.

Além da televisão, e do rádio, obviamente, que também era bem forte e tinha o seu espaço garantido entre o público, nós contávamos com a mídia impressa. Além dos jornais que saíam diariamente narrando os principais fatos do dia anterior, as bancas nas praças e esquinas da cidade eram abarrotadas de revistas, a que dominava o nicho artístico, entenda-se fofoca de TV, era a Contigo, cujo slogan era Saiba De Tudo Em Contigo! E foi no comecinho da década, mais precisamente em 1992, que surgiu a revista Sexy Interview que se tornou a grande concorrente da Playboy, que até então dominava o mercado.


Hoje em dia nos temos as plataformas de streaming para onde estão migrando os canais pagos, mas na década de 90 a TV por assinatura ainda era muito fraca, então a TV aberta era pau para toda obra e transmitia todos os grandes eventos com chamadas especiais, por exemplo a copa da Fifa que era transmitida por mais de uma emissora. Tivemos três na década de 90. Em 1990 na Itália, em 1994 nos Estados Unidos quando o Brasil conquistou o Tetra, e em 1998  na França. Tivemos também duas Olimpíadas, em 1992 em Barcelona e em 1996 em Atlanta.

Festivais e grandes concertos também ganham um lugarzinho especial na programação da TV. Em 1993, tivemos os shows da Madonna e do Michael Jackson que vieram pela primeira vez no Brasil e o Hollywood Rock teve as suas últimas seis edições. Em 1990, 1992, 1993, 1994, 1995 e 1996. Só não teve em 1991 porque nesse ano aconteceu a segunda edição do Rock In Rio, e só não teve mais porque uma Lei aprovada em 1996, proíbiu propaganda de cigarros em eventos culturais e Hollywood era a marca de um cigarro. Ainda existe.

E foi no ano de 1996 que foi lançado o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil como ação do Governo Federal, com o apoio da Organização Internacional do Trabalho, inicialmente para combater o trabalho de crianças em carvoarias da região de Três Lagoas em Mato Grosso do Sul, mas foi ampliada gradativamente para todo o país e se estendeu aos adolescentes de até 16 anos. Isso afetou também a classe artística, os artistas mirins, sejam atores, cantores ou qualquer outro ramo artístico teve que se adequar as diretrizes desse projeto.

Ainda em 1996, aliás, bem no comecinho do ano, nós tivemos o caso do ET de Varginha. No dia 20 de janeiro, três jovens, a Liliane, a Valquíria e a Kátia, afirmaram ter visto uma criatura pequena, com pele marrom, olhos vermelhos e uma cabeça desproporcional ao corpo, agachada em um terreno baldio. A notícia se espalhou rapidamente e atraiu a atenção da mídia e de ufólogos. Tem muitas informações desencontradas a respeito, mas também muita coisa que foi dita pela população local faz muito sentido.

Apesar da falta de provas concretas, o caso continua sendo um dos maiores mistérios da ufologia brasileira e atrai visitantes e pesquisadores a Varginha até hoje, tornando a cidade um ponto turístico para interessados em OVNIs e extraterrestres.

Podemos ver que os anos de 1990 tiveram um antes e um depois, muitas coisas surgiram no começo, mas só se desenvolveram na segunda metade, ou já no final da década. Eu comentei que em 1992 foi lançada a revista Sexy Interview, que mais tarde passou a ser chamada só de Sexy, pois, alguns profissionais que trabalharam na redação dessa revista que era direcionada ao público masculino, criaram uma revista direcionada ao público masculino também, mas que agradou muito as mulheres, a G Magazine.


Um detalhe, a Playboy e a Sexy não eram as únicas revistas de nu feminino, mas eram as mais populares e respeitadas. A Sexy demorou um tempinho para conseguir o mesmo status da Playboy, mas estava no páreo. Da mesma forma, já existiam revistas de nu masculino, mas o Otávio Mesquita e a Ana Fadigas fizeram uma publicação no mesmo status das melhores de nu feminino, a G Magazine. Os dois, Otávio Mesquita e Ana Fadigas, tinham trabalhado juntos na revista Sexy também. E em 1999, surgiu a concorrente da G Magazine, a revista Íntima, que nasceu com outra proposta, mas não durou muito tempo.

Ambas também tinham posto de destaque nas bancas de revistas. Outra coisa que também tinha bastante nas bancas de revistas eram fitas K7. Era a opção mais barata para quem não queria comprar discos ou CDs que eram muito caros e já existia muita pirataria com as fitas. E em 1997, os discos de vinil foram extintos. Ou pelo menos foram abandonados, as fábricas pararam de produzir porque a população já comprava mais CDs que eram muito mais versáteis, ocupavam menos espaço, dava para tocar no carro, os aparelhos de som tinham carrossel que permitia té sete CDs na mesma bandeija.


Enquanto que o disco tinha que ouvir um de cada vez, e ainda virar quando acabava um lado, para tocar o outro. No mesmo ano em que os discos pararam de ser produzidos, chegou o DVD no Brasil. O primeiro a ser lançado foi o filme, Era uma Vez na América, do diretor Sergio Leone, protagonizado por Robert De Niro e James Woods. O lançamento foi feito pela Flashstar em cinco de dezembro de 1997. Mas o VHS continuou ainda até 2008.

E já no finalzinho da década, a beira do fim do mundo, tem um vídeo aqui no canal falando sobre as premonições da extinção da vida na Terra, ou no caso menos fatídico, o bug do milênio que apavorou muita gente. Surgiram os padres cantores, como o padre Marcelo Rossi que desbancou a Xuxa do posto de disco mais vendido da América Latina, a padre Antonio Maria ganhou bastante destaque, o padre Zeca e a irmã Inez, a freira do rap.

A música religiosa foi uma das que ganharam muito destaque nos anos de 1990. Tiveram outras vertentes, como samba, pagode, rock, axé, pop, sertanejo e o É o Tchan que fica difícil colocar em alguma categoria.
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Maio de 1985


Eleições diretas para presidente da República
No dia oito de maio de 1985, O Congresso Nacional do Brasil aprovou a emenda constitucional, que estabelecia as eleições diretas para presidente da República com dois turnos com as datas fixadas, e para prefeitos das capitais. Era o governo de José Sarney, o primeiro depois duas décadas de ditadura militar, que tinha sido eleito pelo colégio eleitoral. 

O Sarney, na verdade, era o vice de Tancredo Neves que faleceu sem poder assumir o governo. Ele não pode comparecer nem no dia da posse, então o seu vice, José Sarney, é quem recebeu a faixa em seu lugar. E quanto ao voto popular, direto, isso só foi acontecer efetivamente em 1989 nas eleições para presidente.

Armação Ilimitada
No dia 17, estreou na TV Globo a série Armação Ilimitada, voltada para o público adolescente, que misturava aventura e esportes, além de outros temas típicos da Zona Sul do Rio de Janeiro. Cada episódio era exibido uma vez por mês no primeiro ano, dentro da faixa Sexta Super, era no mesmo esquema que funcionava a Terça Nobre no início da década de 90.


Em 1986, a série passou a ser exibida quinzenalmente. E detalhe, cada episódio precisava de 15 dias de trabalho para ser finalizado. O projeto foi concebido a partir de um esboço feito por Kadu Moliterno e André De Biase, que haviam trabalhado juntos na telenovela Partido Alto em 1984, e concretizado por Daniel Filho.

Euclydes Marinho, Antônio Calmon, Nelson Motta e Patrícya Travassos ficaram responsáveis pelo roteiro. No caso de Patricia Travassos, suas contribuições eram, na maior parte, de um roteiro que tinha sido feito para um filme com a banda Blitz. Como foi rejeitado ela aproveitou na série e o Evandro Mesquita até gravou algumas participações em alguns episótidos também.


A Globo abriu o cofre para a série. Então os produtores podiam contar com efeitos especiais e cenários criados e desenvolvidos especialmente para cada episódio e tinham cenários que eram montados para uma única cena. Algumas vezes a emissora comprava as bases dos estúdios estados-unidenses. Já as cenas externas eram gravadas com uma única câmera em uma linguagem cinematográfica.

Kadu Moliterno interpretava o personagem Juba, e André de Biase o Lula. Os dois viviam juntos na Zona Sul do Rio de Janeiro e tinham uma pequena empresa de prestação de serviços, a Armação Ilimitada. Dentre as atividades a que se dedicam estavam o mergulho, pilotagem, competições esportivas e até mesmo trabalhar como dublês de filmes.

Os dois atores gravavam as cenas mais perigosas sem dublês, o que lhes ocasionavam constantes lesões físicas.

Eles eram apaixonados por Zelda Scott, interpretada por Andréa Beltrão, uma estagiária do jornal Correio do Crepúsculo, filha de um exilado político, personagem de Paulo José. E então, formavam um triângulo amoroso bem aceito, ou mais ou menos, pelos dois rapazes, porque ela não via problema nenhum em amar os dois ao mesmo tempo.

Se Juba e Lula não gostavam de tal situação, o público amava. Era uma trama bem ousadinha para a época.

Para rechear esse triângulo amoroso, apareceu o Bacana, uma criança órfã a beira da pré-adolescência, interpretado por Jonas Torres. Além desse quarteto principal ainda tinha o Chefe de Zelda, vivido por Francisco Milani, que sempre aparecia caricaturizado de acordo com o que Zelda se referia a ele, de maneira literal. Por exemplo, quando ela dizia que ele despachava os assuntos do jornal, ele aparecia num ritual de candomblé. Se ela o chamasse de nazista, ele aparecia vestido de Hitler.

E ainda tinha a Ronalda Cristina, vivida por Catarina Abdala, a  melhor amiga de Zelda. Black Boy, personagem de Nara Gil, uma DJ que narrava os acontecimentos direto de um estúdio de rádio. É, era bastante provocante, uma mulher chamada boy.


Em 1985, a série recebeu o Prêmio Ondas, concedido pela Sociedade Espanhola de Radiodifusão, considerado na época o Oscar televisivo da Europa.  E chegou ao fim no dia oito de dezembro de 1988. Em 1989 foi substituída pela série Juba & Lula, que teve curta duração.


Foi um pouquinho mais do mesmo, devido o sucesso que ambos fizeram entre a garotada. Os dois personagens já tinham ganhado uma adaptação em quadrinhos em 1988, que teve sequência em 1989, produzida pelo escritor Régis Rocha Moreira e pelo desenhista Hector Gómez Alisio.


Armação Ilimitada teve também álbuns musicais com canções de Sandra de Sá, Marina, Renato Russo, Ultrage a Rigor, Blitz e Engenheiros do Hawaí, entre outros. Tem até Roberto Carlos na trilha sonora.


Desde o seu término, foi reexibida várias vezes. Em 2005, passou no canal Multishow em comemoração aos 40 anos da Globo, em maio de 2011 foi reexibida pelo Viva. Em 2007 foi lançada em um box com 2 DVDs dos melhores episódios pela Som Livre, e em 2025 passou a integrar o acervo da Globoplay.

RPM
Foi em maio de 1985, também, que o grupo RPM teve o seu álbum de estreia, o Revoluções Por Minuto, pelo selo Epic. Esse é o nome do grupo, RPM  é a sua abreviatura, é um trocadilho com rotações por minuto, que se refere a velocidade de giro do disco de vinil quando posto para tocar.


O álbum é considerado um dos 100 maiores discos da música brasileira pela Rolling Stone Brasil, entrou lá na lanterninha da lista, em 99º lugar.

A capa do álbum foi inicialmente reprovada pela gravadora, mas a banda conseguiu convencê-la a aceitá-la. O trabalho foi feito por Alex Flemming (a convite do tecladista Luiz Schiavon) que, a partir da foto original (tirada por Rui Mendes), criou fotolitos e serigrafias para compor a imagem final. As linhas que aparecem ao longo da imagem são fósforos embebidos em tinta. O nome da banda aparece em uma fonte original, que eles adotaram dali em diante.


O baterista Paulo Pagni é o único integrante que ficou de fora da foto. Em 2019, Paulo Ricardo, que era vocalista e baixista da banda, explicou sua ausência foi uma decisão dos membros da banda que ficaram revoltados com a saída de Charles Gavin que aceitou um convite do grupo Titãs.

Ou seja, por culpa do ex-integrante, castigaram o novo. E Charles já tinha saído do grupo Ira para ingressar no RPM. E foi aconselhado a aceitar o convite dos Titãs porque no RPM porque o protagonismo do grupo ficava com Paulo Ricardo.


O álbum contém 11 faixas, todas compostas por Paulo Ricardo e Luiz Schiavon que, entre tantas coisas que fez depois do fim do grupo, dirigiu a banda do Domingão do Faustão de 2004 a 2010. 

As faixas do disco são: Rádio Pirata, Olhar 43, A Cruz e a Espada, Estação do Inferno, A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade, Louras Geladas, Liberdade / Guerra Fria, Sob a Luz do Sol, Juvenília, Pr'esse Vício, e, Revoluções por Minuto.


As faixas que fizeram mais sucesso foram: Rádio Pirata, Olhar 43, A Cruz e a Espada (com participação de Renat Russo), e, Louras Geladas. As faixas Louras Geladas e Revoluções por Minuto já haviam sido lançadas em um EP em 1984. As duas faixas foram gravadas com o auxilio de uma caixa de ritmos para substituir a bateria, já que Charles Gavin tinha ido para o grupo Titãs.


O álbum foi remasterizado e relançado em 2008, no box Revolução: RPM 25 Anos, que também inclui as reedições dos álbuns Rádio Pirata ao Vivo e Quatro Coiotes, além de um CD com remixes e raridades e um DVD com o registro do show também chamado Rádio Pirata ao Vivo, originalmente lançado em VHS em 1987. Em 2011, a versão em DVD foi certificada com disco de ouro pela ABPD.
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