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Lua de Cristal


O filme Lua de Cristal foi lançado em 1990, e encantou uma geração inteira com sua mistura de fantasia, romance e muita música. Inicialmente se chamaria Xuxa e a Turma Invencível. Daí a frase da música Lua de Cristal: Nós somos invencíveis, pode crer. Mas quando ela ouviu a música pronta, que foi composta por Michael Sullivan e Paulo Massadas, ficou tão encantada que pediu para mudar o nome do longa para o mesmo nome da trilha sonora.


Lua de Cristal é uma mistura de Cinderela e Branca de Neve. Xuxa interpreta a Gata Borralheira, Maria da Graça, uma jovem bonita e sonhadora que se muda para a cidade grande com a intenção de fazer aulas de canto. Ela fica hospedada na casa de sua tia Zuleika, vivida por Marilu Bueno, que faz o papel da madrasta má, mas que incorpora também a rainha de Branca de Neve, até lhe oferece uma maçã, e depois vê o rosto da sobrinha refletido no espelho quando pergunta se existe alguém mais bela do que ela.

Os primos de Maria da Graça, a Lidinha, personagem de Júlia Lemmertz, e Mauricinho, vivido por Avelar Love, são correspondentes as irmãs da Gata Borralheira que a atormentam e a exploram como uma escrava. Alias, Júnior Mauricinho não coloca Maria para fazer tarefas domésticas, ele tenta conquista-la, e a assedia constantemente.

Em meio a tantos problemas, Maria conhece a pequena Duda, personagem de Duda Little, sua vizinha. E o desajeitado Bob, vivido por Sérgio Mallandro, que é a materialização do príncipe dos seus sonhos. Ele encontra o sapato perdido da Cinderela, ou melhor, o tênis trocado de Maria. E também protagoniza o beijo que devolve a vida a moça, tal qual o príncipe que despertou Branca de Neve. É ele que a ajudará a conseguir emprego em uma lanchonete e a transformará na estrela de um show. 


Além desses personagens, tem também o Bartolomeu, personagem de Cláudio Mamberti, o dono da lanchonete Babalú, onde trabalham Bob e Maria. O professor Uirapuru, vivido por Rubens Correia, que interpreta o diretor da escola de música onde Maria se matricula, é ele o responsável por testar a voz da jovem e alocá-la em sua classe de canto.

Tem a Dona Rolinha, personagem de Thelma Reston, a principal secretária da escola de música. E a Dona Cotinha, vivida por Leina Krespi, a mãe de Maria, que só aparece no começo do filme.

Todas as Paquitas e Paquitos também participaram do filme. A Roberta Cipriani, Priscilla Couto, Tatiana Maranhão, Ana Paula Almeida, Letícia Spiller, Juliana Baroni, Cátia Paganote e Bianca Rinaldi. Marcelo Faustini, Robson Barros, Egon Júnior, Claudio Heinrich e Alexandre Canhonhi. E o cantor e produtor musical Michael Sullivan, que produziu a trilha sonora do filme, faz uma ponta como Super Saliva, sua cena se resume nele experimentando um sanduíche feito por Maria.

O filme é um musical, então, além do tema, Lua de Cristal, as outras músicas que servem de fundo para várias cenas são: Dança da Vida, com Michael Sullivan & Paulo Massadas. A Cidade, com Cláudio Negão. Verde que Te Quero Verde, com Xuxa. Contos de Fadas, com Xuxa. Dragão da Gang, com João Penca e Seus Miquinhos Amestrados. Mangas de Fora, com Paquitas. O Bob não é Bobo, com Sérgio Mallandro e Paquitas. Chá com Porradas, com Paquitos. Diga Alô, com Funk Brasil. Tema da Morte da Maria da Graça, instrumental, de Ary Spearling. E, Achados e Perdidos, de Silvinho, que não toca no filme, mas é considerada parte da trilha sonora oficial.


O lançamento de Lua de Cristal contou com uma mega-promoção. A pré-estreia ocorreu no dia 15 de junho de 1990, no Cine Marabá, em São Paulo, e reuniu 1.500 crianças da Febem, que desfrutaram de um breve show, lanches e a presença de Sérgio Mallandro, Paquitas e Paquitos, além de fotos autografadas. Em Maceió, no dia 18 de junho de 1990, uma nova pré-estreia contou com a presença da primeira-dama da época, Rosane Collor, acompanhada por 500 crianças da LBA.

Para a estreia oficial, realizada em 21 de junho de 1990, Xuxa, em parceria com a LBA, lançou a campanha Doa a quem dói, em todo o Brasil. Para tanto, o ingresso para ver o filme era um quilo de alimento, que a LBA se encarregaria de distribuir. Xuxa e Rosane Collor receberam o primeiro quilo de alimento da primeira sessão no cinema Art-Casashopping 2, no Rio de Janeiro, às 13h30.


Lua de Cristal entrou em circuito em 137 cinemas. Teve o maior público no primeiro fim de semana de estreia, com 920 mil espectadores e arrecadou 725 mil e 300 dólares, segundo o The Hollywood Reporter. O filme se destacou como a maior bilheteira da década de 1990 no Brasil, com cinco milhões e 100 mil espectadores. Esse recorde foi mantido por 16 anos, só foi superado em 2005 pelo filme Dois Filhos de Francisco.

Rogério Durst escreveu para o Jornal do Brasil que a diretora Tizuka Yamasaki trabalhou com roteiro e interpretações de idade mental inferiores a cinco anos, e chamou Xuxa de anoréxica. Décadas depois, Renato Cabral, em sua crítica para o Papo de Cinema, lembrou que as produções estreladas e produzidas por Xuxa caíram nas mãos de diretores e roteiristas ligados à televisão, resultando em produtos superficiais e pobres. Um dos raros momentos em que a rainha dos baixinhos conseguiu entregar à sua plateia algo mais bem elaborado foi em Lua de Cristal.


O filme foi lançado em VHS pela Globo Vídeo enquanto ainda estava em cartaz nos cinemas, em agosto de 1990. Em 1998, o jornal O Globo lançou a coleção O Globo no Cinema, e o VHS do filme foi reeditado e incluído na coleção. Em 2001, o filme foi lançado em DVD pela Som Livre. Para essa edição, foram gravadas entrevistas recentes com Xuxa e a equipe técnica que participou do filme, que foram incluídas como extras, já que não havia material de making of disponível da época.

Em 30 de novembro de 2017, a Bretz Filmes relançou o filme em um box de DVD junto com Super Xuxa contra Baixo Astral. O box contém dois DVDs, um para cada filme, mas, ao contrário do lançamento da Som Livre, não inclui extras ou making of.

Curiosidades

Havia planos para o lançamento da trilha sonora de Lua de Cristal, mas o álbum foi engavetado para não prejudicar as vendas do álbum Xuxa 5. Lembra que eu disse que o país passava por uma grave crise? Pois, o Xuxa 5 teve uma queda gigantesca de vendas, comparado com os álbuns anteriores, e a trilha sonora do filme nunca aconteceu.


O governo do Fernando Collor confiscou parte dos recursos do filme, então, a diretora Tizuka Yamasaki abriu mão de seu salário para concluir o projeto.

Andréia Sorvetão foi dispensada do grupo da Paquitas antes que começassem as gravações, e a sua substituta, Bianca Rinaldi, só se juntou ao grupo a tempo de gravar a última cena ao lado das meninas que já tinham feito a foto de divulgação, por isso, ela aparece sozinha na capa do DVD.


Xuxa planeja uma sequência para o filme, Lua de Cristal 2.  O projeto já foi elaborado em 2016, quando ela tinha contrato com a Record, mas como várias sinopses foram reprovadas, a ideia nunca saiu do papel. Com a sua volta à Globo, a expectativa era que o longa se concretizasse em 2025.
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O Mistério De Robin Hood


Em 1990, a trupe Os Trapalhões estiveram no cinema em duas ocasiões, em seu filme oficial, parodiaram um famoso herói justiceiro, o Robin Hood, com participação da rainha dos baixinhos, que também teve dupla jornada nos cinemas daquele ano, e com papel dobrado no filme dos colegas atrapalhados.


O Mistério de Robin Hood estreou em 14 de dezembro de 1990. Nesse ano nós tivemos várias produções nacionais, no entanto, as que mais fizeram sucesso foram, para variar, Xuxa e Os Trapalhões. Teve Uma Escola Atrapalhada com Angélica e Polegar, mas que era também dos Trapalhões, e Sonho de Verão de toda a turma da Xuxa.

O Mistério de Robin Hood foi o primeiro filme dos Trapalhões sem o Zacarias que faleceu em março daquele ano. Foi o segundo filme da Xuxa no mesmo ano e poderia ter se poupado porque o anterior tinha sido o Lua de Cristal, um grande fenômeno, e esse com os Trapalhões não foi o melhor filme deles. Aliás, as críticas não foram nada boas.

Os críticos adoravam falar mal dos filmes dos Trapalhões e da Xuxa, não sem razão, mas um dos comentários dizia que o filme demonstrava o cansaço do grupo e a dificuldade em permanecer relevantes, disseram que o longa era basicamente um episódio prolongado do programa da TV.

O filme realmente não tem consistência, como nenhum filme dos Trapalhões ou da Xuxa. Eles sempre pecaram no mesmo detalhe, a pressa. Aí sempre ficava parecendo um especial de TV. Em O Mistério de Robin Hood, a temática de circo facilitou para inserir apresentações que preenchem o tempo, mas o tema principal mesmo não tem profundidade.

A bilheteria alcançou quase um milhão e setecentos mil pagantes, pouco abaixo de Sonho de Verão e oitocentos mil a menos de Uma Escola Atrapalhada.


O filme começa com dois grupos de pessoas, claramente de reputação duvidosa, e cheios de dinheiro a julgar pelos carros que usam, para uma negociação, nitidamente ilegal dada as condições do encontro, em um lugar sem movimento, com homens mascarados e armados. É quando o Robin Hood entra em ação pela primeira vez.

O pseudo-herói deixa o local em um carro tão caro quanto o dos negociadores e entrega parte do dinheiro do roubo a uma família em que as crianças reclamavam de comer pão com sardinha e a mulher chorava na mesa pela miséria em que estavam passando.

A cena seguinte é um esquete de trapalhada em um circo entre Dedé e Mussum que são trabalhadores do local. Em seguida, Xuxa entra em ação, ela interpreta a Tatiana, filha do mágico do circo, papel que deveria ser distinto do que ela era na TV, na vida real, mas ficou muito parecida, infantilizada.

Didi encontra uma criança em uma lata de lixo, que passa a viver com ele escondida no circo também. Na verdade, ele não se esconde no circo, foi o circo que foi montado em cima de seu esconderijo. Ele obriga a criança a tomar banho e ao vê-la nua descobre que é uma menina, a Duda Litle, a quem dá o nome de Rosa. Ela não fala e nem lembra quem é exatamente.

Dedé serra o Mussum ao meio e cola as parte ao contrário.

Tatiana se disfarça de menino para vender chocolate aos frequentadores do circo, mas parece que não tem permissão para fazer isso porque o segurança do local a coloca para fora.

Didi vê TV com a garota que adotou, mas sai antes de aparecer na tela o pai de uma criança desaparecida.

Os capangas do vilão Gavião invadem o circo para deixar um recado para o Robin Hood.

Ele tem uma espécie de Bat-Caverna, com passagem secreta e conexão via rádio com o esconderijo dos bandidos, é como ele descobre onde serão feitas as negociações ilegais para roubar o dinheiro.

Gavião descobre que Robin Hood escuta as conversas do seu esconderijo e arma uma cilada para ele, mas graças aos outros dois trapalhões, o plano não dá certo. Eles não tinham se dado conta que Rosa estava escondida no carro e por alguma razão, não clara, ela passou mal e precisou ser levada ao hospital. A situação serviu para gerar uma cena emotiva que, por sorte, foi curta.

Rosa foi sequestrada do hospital e recupera a memória. Ela reconhece o vilão, que é o mesmo inspetor do circo. E é usada para capturar Robin Hood.

Gavião utiliza Tatiana para chamar a atenção de Robin Hood e finalmente acontece o embate entre os dois. Ele é salvo peña moça disfarçada de menino. Rosa entra em cena com dificuldades de falar, mas no mesmo instante recupera toda a sua capacidade de dicção e oratória.

Ao retirarem o vilão do circo, Tiao Macalé aparece em uma cena sem nexo nenhum, por alguns segundos.

Didi devolve Rosa a sua família e quando volta ao circo é preso por ter sua identidade revelada pelo seu inimigo, mas é liberado pela polícia diante da pressão dos trabalhadores do local com a condição de ter que ir embora. Parece que pelo menos o vilão não revelou seu esconderijo, ou saberiam que ele estava lá antes deles chegarem.

Ao embarcar em seu carro, encontra o menino vendedor, que revela sua identidade. Ambos se beijam e são enviados, pelo pai da moça, para o sonho de Didi.

No final do filme aparecem os erros de gravação e a última cena é de Xuxa vestida de menino com a camiseta do Botafogo fazendo campanha rumo ato tri-campeonato do clube.

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